Allen Porter Mendenhall

Amiga do Peito

In Arts & Letters, Creative Writing, Fiction, Humanities, Literature on May 20, 2015 at 8:45 am

Hugo Santos

Hugo Santos é professor de Literatura no Brasil e possui os cursos de Graduação e Mestrado em Literatura Brasileira, ambos conseguidos pela Universidade Federal de Pernambuco, no estado de Pernambuco, cuja capital é Recife – sua cidade natal (e de acordo com ele mesmo, uma das mais belas cidades do país). Atualmente, ele está frequentando o Programa de Doutorado em Educação de Adultos, na Universidade de Auburn, onde também é professor de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira. Além disso, ele está representando o Governo de Pernambuco na iniciativa de se estabelecer uma parceria entre a UA e a Universidade do Estado de Pernambuco, através do estabelecimento, troca e ampliação de pesquisas que permitirão a alunos e professores das duas instituições explorarem o que cada uma tem para oferecer. É autor de “Um Céu Imenso.”

Hugo Santos is a Professor of Literature in Brazil and received both his undergraduate and master’s degree in Brazilian Literature from the Federal University of Pernambuco, in the state of Pernambuco, located in the Northeast of Brazil, whose capital is Recife—his hometown (according to himself, one of the most beautiful cities in the country). Currently, he is enrolled in the Ph.D. Program in Adult Education at Auburn University and teaches classes in Portuguese and Brazilian Culture. He is linked to the Auburn University Office of the International Programs as a representative of the Government of Pernambuco and is establishing a partnership between Auburn University and the Pernambuco State University, where he worked in Brazil. The research exchange and extension program enables the students and teachers of both institutions to explore what each university has to offer. He is the author of Um Céu Imenso (“An Immense Sky”).

 

– Ama?

– Claro, amor.

– Diga.

– O quê?

– Que ama.

– Amo você.

– O quanto?

– Quanto o quê, amorzinho?

– O quanto você me ama, oras.

– Muito.

– Muito, quanto?

– Muito mais que o muito.

– E até quando?

– Até quando?

– É. Até quando você me ama, ou vai me amar?

– Pra toda vida, amor.

– Essa e outras vidas?

– Olha, meu amor… que eu amo e por quem respiro, são três horas da madrugada, eu tô cansadíssimo, tenho que acordar cedo e não sei se vou conseguir desse jeito.

– Ah, Rafa… você sabe muito bem que eu sou insegura mesmo, e que pelo fato de eu ser tão apaixonada por você eu preciso confirmar isso sempre.

– E isso inclui o meio, exatamente o meio, da madrugada, Pati?

– Mas eu não tenho culpa se isso às vezes me aflige.

– E por que isso te aflige, amor?

– Pense comigo. Eu sou louca por você.

– Sei.

– E não me vejo longe de você.

– Entendo.

– Então… se o que você sentir por mim não for o mesmo, ou na mesma quantidade, ou na mesma intensidade, eu vou ficar vulnerável, né?

– Vulnerável?

– Totalmente vulnerável.

– Pati, meu amorzinho. Você andou falando com alguém, hoje?

– Eu?

– É. Você.

– Por que você está me perguntando isso?

– Porque, minha vida, eu conheço muito bem a mulher com quem eu estou casado há cinco anos. E ao longo desses sessenta meses, sempre que alguma das suas amigas fala com você um assunto mais polêmico, você simplesmente não dorme, como agora, e não sossega até me acordar no meio da noite, como hoje. Quem foi?

– Foi a Fabi.

– Ai, de novo não. Novamente a Fabi? E o que ela te falou dessa vez?

– Ela apenas me repassou. Foi algo que as meninas do trabalho comentaram ontem.

– E eu já to até imaginando. A Fabi tem um jeito todo especial de conseguir repassar coisas que foram comentadas pelos outros.

– Ah… mas isso não vem ao caso.

– Realmente não. Conta.

– Pois é. Ela me disse que as meninas comentaram, e você sabe muito bem que as meninas…

– Pati, não enrola. Fala direto.

– Ela me disse que hoje em dia os homens são extremamente claros naquilo que sentem; que eles falam muito pras mulheres o quanto as amam, e que não conseguem viver sem elas. Essas coisas.

– E baseada no quê, ela disse isso?

– É aí que entram as meninas. Como você sabe, elas são solteiras, estão sempre em contato com outras pessoas solteiras e têm visto que os homens com quem se relacionam são assim, carinhosos, atenciosos e falam sempre. Ela até acha que tem a ver com essa onda de metro-sexualismo e tudo.

– E onde é que eu entro nessa história toda?

– Pois é. Elas também comentaram que nunca vêem você falando.

– Elas nunca me vêem falando?

– É.

– Que eu amo você, e que sou louco por você, e tudo?

– Isso.

– E o que você acha disso?

– Eu? Bem… não sei ao certo, e é por isso que estamos conversando, não é não?

– Olha, Pati, embora metro-sexualismo não seja o meu forte, e na verdade eu sequer saberia dizer o que faz, como se veste e como fala um metro-sexual…

– Eu te dou umas dicas, amor…

– Não, não precisa. Posso continuar?

– Claro, amor.

– Meu amor, não vai ser a quantidade de vezes que eu diga o quanto a amo que vai dar qualidade ao que sinto por você. O meu amor é presente, é profundo, é cristalino e verdadeiro, e com toda certeza já existia há muito tempo, antes mesmo de nos conhecermos. Prova disso foi o meu olhar patético pra você, na primeira vez que te vi, dizendo pra mim mesmo “eu amo essa mulher desde sempre; eu sonhei com ela; eu torci por ela… eu vivi pra ela.”

– Oh, amor…

– É também possível, meu amor, que eu não esteja falando o suficiente pra você que te amo, mesmo porque, Pati, dizer-lhe isso a cada minuto, toda hora e todos os dias, ainda não atenderia o meu desejo e nem ao que você merece. Você que merece tanto, e que amo tanto. Saiba, entretanto, amorzinho, que vou buscar melhorar. Mas se, ainda assim, eu não parecer a essência do que seria um aplicado “metro”, eu ainda serei o mais apaixonado, o mais absolutamente devotado e o mais amavelmente entregue dos homens.

– Ai, amor. Isso foi tão lindo. Agora eu me sinto bem melhor.

– Jura?

– Juro.

– Vamos dormir, então?

– Vamos.

– Amo você. Muito.

– Também te amo, Rafa.

– Tá bom.

– Tá bom? Mas eu pensei que você fosse dizer “muito mais que o muito”…

– Boa noite, amor.

 

Caxito

In Arts & Letters, Creative Writing, Fiction, Humanities, Literature on May 13, 2015 at 8:45 am

Hugo Santos

Hugo Santos é professor de Literatura no Brasil e possui os cursos de Graduação e Mestrado em Literatura Brasileira, ambos conseguidos pela Universidade Federal de Pernambuco, no estado de Pernambuco, cuja capital é Recife – sua cidade natal (e de acordo com ele mesmo, uma das mais belas cidades do país). Atualmente, ele está frequentando o Programa de Doutorado em Educação de Adultos, na Universidade de Auburn, onde também é professor de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira. Além disso, ele está representando o Governo de Pernambuco na iniciativa de se estabelecer uma parceria entre a UA e a Universidade do Estado de Pernambuco, através do estabelecimento, troca e ampliação de pesquisas que permitirão a alunos e professores das duas instituições explorarem o que cada uma tem para oferecer. É autor de “Um Céu Imenso.”

Hugo Santos is a Professor of Literature in Brazil and received both his undergraduate and master’s degree in Brazilian Literature from the Federal University of Pernambuco, in the state of Pernambuco, located in the Northeast of Brazil, whose capital is Recife—his hometown (according to himself, one of the most beautiful cities in the country). Currently, he is enrolled in the Ph.D. Program in Adult Education at Auburn University and teaches classes in Portuguese and Brazilian Culture. He is linked to the Auburn University Office of the International Programs as a representative of the Government of Pernambuco and is establishing a partnership between Auburn University and the Pernambuco State University, where he worked in Brazil. The research exchange and extension program enables the students and teachers of both institutions to explore what each university has to offer. He is the author of Um Céu Imenso (“An Immense Sky”).

Se um dia me perguntarem o quanto o Caxito foi importante pra mim, a resposta vai ser rápida e sóbria, o que poderá parecer um sarcástico paradoxo, em função do que eu via naqueles dias – um reduto de conhecimentos. Posso até estar provocando sobressaltos e ressentimentos a toda ordem de pensadores ou intelectuais, porém, guardadas as proporções e respeitadas as comunidades que formaram grandes escritores, foi daquela fonte ali, daquele conjunto de coisas, do Caxito, que comecei a contrapor razões aos fatos, possibilidades à realidade e necessidades às perspectivas.

A essa altura, o leitor já deve estar se perguntando: “O que vem a ser esse tal de Caxito, afinal?”. Pois bem, trata-se de um bairro, mas não um bairro qualquer, é na realidade um grande conglomerado de pequenas coisas. Um conjunto inicialmente organizado de ruas, que vai sofrendo uma espécie de mutação sócio-habitacional-cultural e, ao final, toma uma forma pretensiosa de bairro. Lá, como poucos, tive a oportunidade de ver, na letargia de atitudes, nas expressões idiomáticas, nas feições frustradas e nos bêbados inveterados, que aquela junção toda provocava uma espécie de comoção geral, de comiseração geral, em cada um e em todos, gerando certa acomodação natural frente às dificuldades, o que, invariavelmente, como num ciclo vicioso, gerava mais letargia, frustração e embriaguez.

Dos amigos da époça, lembro de todos – pelo menos de seus apelidos: Vaíta, Mi, Biuzinho, Nino, Novo Grande, Leto, Berval, Van e Dilá, que eram, em grande parte, aprendizes daqueles moradores mais antigos, conhecidos por serem cheios de deliciosas estórias mentirosas, o que os endeusava diante daquela gente; João Bocão, João Boi, Coquilha, Gerson Coquinho, Cara de Prega, Beto Perneta e Ontôin Cotó poderiam estar inseridos em qualquer obra autoral, já que traduziam o estereótipo de personagens literários; Cremilda Doida, com seus acessos, freqüentemente era atendida por minha mãe, alvo preferido também de Ernestina, uma bêbada sorumbática que, em seus píncaros de porre, chegava graciosamente em nossa casa, às duas horas da madrugada, gritando: “Santinha, meu amoooor!”. Entretanto, de quem eu mais lembro, na verdade, é de Vado Pipa. Um ser absolutamente hilário – quando estava bêbado, claro – que exercia um certo fascínio na garotada, creio eu pelo fato daquele futuro tragicamente almejado, de tornarem-se também bêbados divertidos. Lembro, inclusive, uma ocasião quando retornava pra casa, com meu pai, e vi nosso personagem, com uma garrafa de cachaça, totalmente ébrio, fitar-nos e cantar.

– Seu Santos… ela me deixou e foi morar com o guarda. Ela me deixou e foi morar com o guarda…

Trôpego, ainda tentou equilibrar-se e bambamente estatelou-se na lama, entre risos e outras cantorias, no que aproveitamos pra sair dali. O mais risível, porém, aconteceu quase duas décadas depois, quando numa noite dessas levava minha mãe de volta pra casa onde morei, e exatamente no mesmo lugar, com uma garrafa na mão, vejo Vado Pipa, velho, resistente, indiferente… e que me cumprimenta, cantando.

– Ei, Hugo… meu bom… ela me deixou e foi morar com o guarda. Ela me deixou e foi morar com o guarda…

Sorri compulsivamente, deixei minha mãe e notei o que há tempos não tinha me dado conta – ali ainda era o Caxito.

Freqüentemente eu me perguntava o que atraia tanta gente àquela conversão de ruas, e não fosse uma explicação dada por João Bocão a meu pai, seguramente ainda teria as mesmas dúvidas. A conversa surgiu durante um “rasga-rasga” ocorrido uma única vez, na sede do Palmeiras Esporte Clube – única gafieira do bairro – e que se estendeu, rapidamente, a todas as ruas.

No Palmeiras, às sextas e sábados à noite, o que se via era uma verdadeira profusão de cores, luzes e cenas hilárias, transformando aquelas pessoas que nos pareciam normais, perecíveis, alcoólatras e conformadas, em personagens vigorosos, alegres e irreverentes. Era uma pena que minha mãe não me deixasse sequer chegar perto do clube nessas noites, por isso eu tinha de fazer verdadeiras manobras pra entrar na cozinha de casa, sair pela porta dos fundos, pular o muro de Dona Lídia, passar pelo terreiro de Dona Cotinha para, depois de aproveitar o descuido de Cara de Prega na portaria, ter meus quinze minutos de puro êxtase, vendo as carícias suadas, os beijos excitados, as mãos nos peitos e as danças frenéticas ao som do merengue, tempo suficiente pra retornar sem ser percebido, e pensar no que aquilo representava pra um menino de onze anos.

No carnaval de 1980, dentro do Palmeiras, ocorreu um episódio que representava bem esse misto de coisas novas e impensáveis – o rasga-rasga. Era a quarta-feira de cinzas, mas nem por isso a alegria bizarra daqueles foliões, travestidos daquilo que, melhor que ninguém, sabiam retratar, tendia a diminuir. E o interessante era ver que, enquanto em Olinda o último dia era visto como algo absolutamente natural, buscando estender aquelas horas restantes tão somente pelo sabor que elas tinham, sentindo a falta do sobe-desce das ladeiras, do frevo e do maracatu, no Caxito parecia uma obrigação comum a todos a extensão do último dia de festa, da última tarde que, indo embora, levaria também o cobertor ilusório de toda aquela banal realidade.

A certa altura, Beto Perneta, que ainda encontrava-se de pé por pura insistência, já que de longe se notava, pelo tanto que tinha bebido, não saber sequer onde estava, puxou Cremilda Doida pela Cintura, certamente querendo fazer parte do trenzinho em que ela estava, e num ato meio reflexivo ainda deu algumas passadas naquele cordão, mas como o trem corria em círculos, o pobre Beto não conseguiu parar suas pernas, de tamanhos diferentes, e quando escaparam-lhe as mãos – àquela altura já na bunda da Doida – só conseguiu segurar-lhe a saia, que veio com ele, cambaleando, topando, gritando e só não se ferindo na queda porque conseguiu agarrar-se na camisa de João Boi, que foi rasgada na aterrissagem. Ainda sentado, ileso, com a mão da camisa no peito e a mão da saia na cabeça, vendo Cremilda – o exemplo da calma – com a mão estendida, esperando a veste, Beto Perneta respirou fundo, olhos fechados e cara azeda.

-Êita, que é bacalhau puro!

A risadagem, claro, foi generalizada e Cremilda nem pensou muito, o que não era surpresa pra ninguém, e arrancou, rasgou e jogou pra todos os lados os pedaços da camisa de Beto Perneta.

O que se sucedeu foi uma verdadeira tendência de rasgadura geral. Via-se pai rasgando genro, neto rasgando sogra, primo rasgando nora, desconhecido rasgando conhecido. A tal ponto daquilo tudo ultrapassar as paredes do clube e se estender às ruas, onde quem quer que fosse passando virava uma nova vítima dos contumazes rasgadores – que àquela altura eram todos – independente da qualidade do tecido, cor, molde ou detalhe. Pessoas indo pra casa, fugindo da folia, indo ao trabalho, ao hospital, voltando, todos eram sumariamente agarrados e rasgados, de uma maneira que em determinada hora o que se via eram os corpos seminus, no máximo com suas cuecas, anáguas ou sutiãs descoloridos e surrados, sobre um tapete enorme de retalhos do que haviam usado e, assim como que em transe, rindo daquele encontro de alegria carnavalesca, debilidade e descompromisso com qualquer pudor.

Nessa hora, com meu pai, no terraço de nossa casa, de onde assistíamos a tudo, João Bocão se aproximou dizendo:

– Sei não, Seu Santos… ou endoidô tudo, ou tá tudo querendo endoidá.

E nessa hora, mesmo que involuntariamente, com seu trocadilho, João me deu a luz do que era o óbvio. Quem estava ali, não só naquela hora, mas quem vivia ali, alimentava-se ali e fantasiava seus dias ali, estava querendo de fato “endoidá”. Mas, endoidar para demonstrar que não eram só as mazelas que faziam parte de suas vidas, mas também os sonhos. Sonhos de alegria e esperança. Sonhos, sobretudo, por algo que em nenhum outro lugar, com tanta intensidade, eles iriam atingir – a liberdade de estarem ali; o sonho pelo despudor de rasgarem suas roupas, como quem arranca uma chaga do corpo, e de peito, coração e alma abertos, demonstrarem que sempre seriam maiores do que aquelas feridas.

Na manhã seguinte, ainda a olhar aquela espécie de campo de batalha de tecelões, Vado Pipa se aproximou de mim e num de seus acessos de lucidez – lógico que irremediavelmente raros, mas que nem por isso deixavam de ter a importância real em nossas impressões de mundo – comentou:

-Coisa linda, né?

– O que é lindo, Vado?

– Esses pedaços de roupas pelo chão. Olha lá a camisa de Nino, o meu filho; o calçãozinho de Pirrita, irmão de Getúlio… tem até a saia de Cremilda, ali ó…

O que me impressionava é que a cada peça, ou resto dela, havia uma identificação do dono e um fato pitoresco.

– Êita! Aquele sutiã ali eu conheço. Neide do Pão tava com ele na sexta-feira do carnaval, lembra? Tava de blusa branca, choveu e o biquinho do peito passava por esse buraquinho aqui. – Enfiando o dedo mínimo pelo orifício.

Nessa hora rimos bastante e eu fiquei deslumbrado com aquele sujeito pequeno, franzino e das pernas tortas, que conseguia ser tão preciso nas suas pequenas coisas e despertava um curioso sentimento de admiração em quem se colocava ao seu lado, estampando no rosto um sorriso de contentamento e realização por estar ali, sempre, todos os dias, transformando o comum em algo singular e especial.

– Sabe, Hugo, a gente precisa melhorar esse negócio. – Eu não entendi, mas Vado continuou.

– A gente precisa organizar melhor esse carnaval. Como é que esse povo brinca assim e joga a roupa em tudo quanto é lugar? Tudo bem que tá rasgada, mas poderiam jogar num lugar só, né não?

Os paradoxos eram corriqueiros no Caxito, e aquele momento se tratava de um deles. A grandeza de um pensamento humilde e a profunda e irretocável banalidade de sua existência. Aquelas pessoas me mostravam o quanto a sensibilidade, a delicadeza e a fatalidade poderiam fincar suas marcas em minhas memórias, fazendo-me refém de meus medos e, ao mesmo tempo, mostrando-me a beleza de que tudo aquilo o que é bom está ao nosso alcance.

Naquela hora, João Bocão se aproximou e foi logo fazendo seu comentário:

– Eu acho que vai chover, hoje…muito.

 

The Country Lawyer Explains

In Arts & Letters, Creative Writing, Humanities, Poetry, Writing on May 6, 2015 at 8:45 am

Amy Susan Wilson

Amy Susan Wilson has published in numerous journals, including This Land, Southern Women’s Review, and elsewhere. Fetish and Other Stories, which focuses on Southern women, is forthcoming May 2015, Third Lung Press. She is Editor of Red Truck Review: A Journal of American Southern Literature and Culture and Publisher, Red Dirt Press. (www.redtruckreview.com). She publishes attorney Steven L. Parker’s debut novel, “BS,” release date of June 2015. 

“The Country Lawyer Explains”

Goat blood gushing
like Turner Falls
after a flood;
Rascal
your number one bird dog
settled into truck bed,
flip out the side
into that ravine,
fridges
sofas—
goats
thrown out back
the pull-trailer
Bethel Fork Road.
Seven necks
wishbone-easy
snap.
Ford 250 axle busted up
good as a boxer’s face.

Elmore charging outta his pen
as you chug the rut-red dirt
road—lying in wait he was–
Elmore
knowing to dart
just the right millisecond
to crash pancake-thin
Ford 250 and all,
Elmore’s
laugh-smirk-snort
the sure-fire sign
of a serial killer
you say.
Welp, Elmore enjoyed takin’ out
           meat goats,
           ole Rascal.
           Ya didn’t see him laugh;
           truck engine
           blazin’ Hades
           goat blood
           galore.

II.

Uncle Roy,
Aunt Wanella,
I don’t doubt
the Internet says
you can prosecute a pig
some parts the world
but not
Pottawatomie County,
Oklahoma.
Sure, blame our federal
government,
Obama,
But animals lack culpability.
I agree
smells like rain
come this hour.
Elmore’s gonna muck
in mud
sun his big fat
wad of belly,
his favorite
slaughter hog-thing
beyond murdering meat goats,
God’s finest bird dog,
the injustice
of reward.

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